Archive for the ‘Cidades’ Category

Eu voltei

quinta-feira, junho 24th, 2010

Venci as ondas de areia e sal, como diria Bruno, amigo do Marrone, lendo as palavras escrtias e musicadas por Moacir Franco.

E isso não significa nada.

Sobreviver é bom, divertir-se é bom, e só.

Estou me preparando para ver se bate aquela onda transgressora trabalhista de escrever novamente aqui no blog, se apetece decupar anúncios, comerciais e campanhas inteiras, como nos velhos e aparentemente perdidos tempos.

Agora está começando Itália e Eslovênia, pra decidir quem vai às oitavas nesta Copa do Mundo 2010, e isso parece ser bem mais interessante do que escrever aqui. Até trabalhar é.

Até.

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Do caos ao…

domingo, janeiro 31st, 2010

Você se recicla. Busca novas idéias, faz cursos, passa horas a fio lapidando suas palavras. Você consegue uma cadeira mais macia, um salário melhor e mais respeito. Você alcança reconhecimento profissional, sucesso, e muito mais dinheiro. Mas, cá entre nós, você não se encontra. Isso é clichê, piegas, senso comum, e todas aquelas coisas que as grandes ideias parecem.

Parece Déjà vu. Parece que você precisa. Parece não, é uma certeza. E você precisa fazer isso agora. Antes que o mundo pese sobre seus ombros. Antes que você vire gente de verdade.

Certo, você já nasceu gente. Se acha mais gente que muita gente. Mas você não é. Nem mais, nem menos.

Essa foi uma introdução caótica para um projeto de paz e satisfação.

Após alguns anos praticamente sem férias, trabalhando 8 horas ou mais por dia, fazendo propaganda, falando de propaganda com todo mundo que fala sobre, escrevendo sobre propaganda neste blog, vivendo propaganda há mais de 8 anos, decidi fazer uma pausa. Não porque o número 8 deitado seja o infinito, mas porque pensar é preciso. E antes que essa possibilidade de pensar não seja mais uma opção, acelerei.

Posso me arrepender de dizer isto, principalmente se quiser voltar a trabalhar na área, mas o fato é que a publicidade tem me embrulhado o estômago. Cada dia chega mais gente querendo criar, escrever, layoutar, atender e planejar propaganda. E 70% são profissionais medíocres, querendo se juntar a um mundo de gente leiga ocupando postos importantes na nossa “indústria”.

Saí da faculdade movido a novidades, com sede de inovação, aflito por mais conhecimento, por técnicas mais eficazes de redação publicitária, por ideias realmente vendedoras. E me deparei com um mercado caquético, subnutrido. As empresas querem coisas novas, querem superar a concorrência, e as agências querem ajudar. Mas, apesar, todavia, entretanto, a mão nem tão invisível da ignorância que se acha demais, interpela o novo.

Gente que diz fazer, acontecer, twittar e enlouquecer, faz mais vender a si próprio do que um planejamento que tenda ao palpável, ao rentável.

Se não conseguem inovar, que façamos como nossos antepassados: ilustrações belas, com textos explicativos lindamente escritos. Façamos o bom e velho Alltype. Mas sem forçar modismos inatingíveis, sem passar rasteira na qualidade, sem ultrapassar a fronteira da ética e do bom gosto. Aqui no blog há muito tempo exponho e crítico tal tendência. Mas o nó é muito mais embaixo. Ler este desabafo pode te ajudar a compreender.

Por isso estou pulando fora. Não digo que não voltarei. Talvez volte pilhado, ligado e motivado. Simplesmente vidrado em fazer propaganda de qualidade. Talvez volte pensando em enveredar pra novas áreas dentro da publicidade, do marketing e da comunicação em geral. Talvez volte para trabalhar com RH, ou com um projeto audacioso para vender camarão na Praia do Futuro. Talvez eu nem volte.

Mas afinal, pra onde eu vou?

http://voltaremosvivos.blogspot.com/

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Festival Mundial de Publicidade de Gramado - 2009

terça-feira, maio 12th, 2009

Nos dias 3, 4 e 5 de junho acontece a 17º edição do Festival de Gramado. Não o de cinema, mas o de Publicidade. Cá entre nós, um assunto igualmente desnecessário, mas ligeiramente mais importante.

O tema deste ano é A Vanguarda Criativa, e pelo que conheço do evento, servirá para pautar apenas a decoração - em 2005 lembro de uns bumerangues gigantes pendurados, algo a ver com o tema do ano, e apresentações idênticas às de 2003, cujo tema não me recordo.

Para dar o pontapé inicial e falar de “Inovação e Vanguarda”, ninguém menos que Washington Olivetto, que inovou muito nos anos 60, 70 e 80. Mesmo que sua W/Brasil esteja indo mais para trás do que pra frente, e ele esteja aparentemente conformado, o mestre da propaganda brasileira sempre tem algo a mostrar, mesmo que todo mundo já tenha visto. Propagandas antigas, talvez altiquadas para os dias de hoje, mas belos exemplos de criatividade, com o mais fino texto que o país já viu.

Sim, ele é chato. Sim, ele é esnobe. Sim, ele é meio esquisitão. Mas o tom blasé e os olhares de desdém do mestre para com a plebe ignara serão imperdíveis.

Uns tais Neal Davies, Rony Rodrigues e Paulo Secches, das agência Naked, Box 1824 e ???, respectivamente, estão confirmados para o segundo dia. Eu também nunca ouvi falar, conforme-se.

Na parte da tarde está confirmado o Walter Longo, o cara que senta do lado direito do Roberto Justus em O Aprendiz. Ele vai desabafar sobre a revolta que sente por Justus nunca seguir seus conselhos e demitir quem bem entende, geralmente homens, preferencialmente nordestinos. Brincadeira…ele trabalha no Grupo Newcomm, e sua palestra tem “Inovação e vanguarda na utilização de meios e ferramentas”. Será qual ferramenta ele está utilizando no meio do Justus?

Walter Longo leva a Roberto Justus, que leva a Ticiane Pinheiro, que leva a Karina Bacchi, que leva todo mundo ao delírio.

Walter Longo leva a Roberto Justus, que leva a Ticiane Pinheiro, que leva a Karina Bacchi, que leva todo mundo ao delírio.

No terceiro dia, entre supostos gringos e famosos desconhecidos, estará Moacyr Netto, em nome da DM9DDB.

O programa completo está aqui.

Espero que dessa vez a organização não me decepcione. Em 2003 e 2005 eles cancelaram workshops e palestras importantes em cima da hora, quando todos já estavam com a viagem comprada.

No mais, o festival vale mesmo pela viagem. Tomara que desta vez, não mais universitário, eu consiga aproveitar os entediantes passeios ecoturísticos, ao invés de passar o tempo livre todo em festas e pubs. Talvez comparecendo ao evento sóbrio e sem ressaca, eu consiga trazer algo de útil para Brasília, além de bugingangas, camisetas, gorros e luvas.

Tomara também que esteja frio, que ninguém me ofereça apfelstrudel e que o bizarro monstro preto do Lago Negro, que passa pela animação tosca do site, não faça nenhuma vítima fatal.

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SEMGRASSA (liberdade poética trocadilhesca)

sexta-feira, janeiro 23rd, 2009

Às vezes eu acho que o CCSP fica sem assunto.

Não vou nem culpar a agência encarregada pelo anúncio:

Afinal, quem nunca precisou fazer um anúncio em menos de 3 minutos que atire a primeira pedra.

Essa pode ser a única justificativa para a “criação” de um all type sem graça e sem conteúdo, que por ser de uma cerveja com um nome desses e para o aniversário de uma cidade como São Paulo, tinha os ingredientes perfeitos para uma bela idéia. Será que o tio Olivetto viu?

Mas como disse, isso não importa.

Como é que pode um portal quem tem no nome a palavra “criação”, publicar uma notícia para um anúncio desse nível!? Estaria o CCSP também sem conteúdo?

Sinceramente, um diretor de criação do interior de Roraima só aprovaria tal peça se o prazo estivesse estourado, e a Gazeta de Mandiocal ficaria triste por estragar suas páginas com a pérola. E duvido que o Clube de Criação de Roraima ousaria transformar uma dessas em notícia. 

Francamente…

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Forno a lenha publicidade e propaganda

sexta-feira, janeiro 23rd, 2009

Você já deve ter lido um texto que mostra como o “cliente de agência de propaganda agiria se tratasse todos de quem ele “compra” do mesmo modo que trata a agência.”

É interessante, mas obviamente parcial, feito para ser engraçado para publicitários, coisa que realmente é. E agora, vou tentar fazer aqui uma analogia séria,  que compara a agência com uma pizzaria, ou qualquer negócio, e talvez você entenda que o cliente tem quase sempre razão.

O mestre pizzaiolo da melhor pizzaria da cidade estudou culinária avançada por 9 anos em Nápole, na Itália, onde fez estágio em pizzaria experimental e criativa.

Em sua equipe, está um nutricionista com doutorado em Montreal, que planeja aonde vai entrar cada ckal de queijo, e um picador de calabresa com passagem pelas maiores organizações sicilianas e garçons capazes de atender com requinte as multidões mais chiques e esfomeadas.

As pizzas preparadas são altamente nutritivas e saborosas. Cada azeitona é milimetricamente arranjada sobre o queijo borbulhante, que cobre pedaços de presunto picante, champignons e uma massa divinamente crocante. Ao formularem o cardápio, o nutricionista e o pizzaiolo concluíram que a pizza deveria ter uma pitada de óregano, pois pesquisas de opinião realizadas em mais de 30 países e no próprio bairro, apontam que 81% das pessoas gostam de orégano.

E tal pizza foi escolhida pelo cliente, um chefe de família de classe média alta, levemente grisalho, casado com uma senhora obesa, e pai de um casal de filhos sardentos, sendo que a meninsa é alérgica a presunto defumado. O cliente pediu que metade da pizza viesse sem presunto, e que a outra metade viesse com muçarela de búfala, para tentar deter a expansão corporal de sua amada.

O pizzaiolo sabe que o sabor da muçarela do possante bufalino não combina com sua massa, e que sem o presunto, a outra metade vai ficar sem graça. O garçom, que não é bobo, sabe que a senhora, que não é gorda à toa, vai pegar só o presunto de sua metade e vai atacar o queijo gorduroso da parte das crianças.

Como o menino está em fase de crescimento e criou caso com a pouca comida, pediram uma  portuguesa média com quantidade dobrada de ovos e sem cebola.

A equipe contestou? O pizzaiolo se recusou a seguir a sugestão do cliente? O nutricionista deu escândalo, dizendo que estudou anos em vão? O picador de calabresa foi demitido só porque a moda agora é o presunto? O garçom riu da cara deles?

NÃO!

Eles simplesmente fizeram a pizza, mesmo sabendo que a velha vai ficar mais gorda, que a menina vai acabar no hospital com crise alérgica depois de comer o presunto alheio, que o menino vai ter gases e que o pai vai parcelar a conta em três vezes e pedir um cafezinho grátis.

Eles fizeram porque o trabalho deles não é ganhar o prêmio Fornalha de Ouro, ou tentar empurrar teorias gastronômicas nos clientes. Eles fizeram porque sabem que o cliente conhece o próprio estômago melhor que qualquer phd, que mesmo que o cliente saiba que pode passar mal e se arrepender de certa combinação*, o paladar e o dinheiro são dele. A equipe da pizzaria sabe que provavelmente não fique gostoso ou saudável, e pode até sugerir isso, mas não tem o direito de vomitar teorias, que aliás, não são comestíveis.

Um dia vai chegar um cliente com coragem de encarar a receita com roquefort, agrião e chedar, criada num insight matinal do pizzaiolo, o cliente vai dizer que é a pizza mais gostosa que já comeu na vida, vai contar pra todo mundo e a cantina italiana vai ficar recheada de prêmios.

Mas enquanto isso, seguem criando opções mais aceitas, mesclando combinações perfeitas com as vontades do cliente, com o que ele está acostumado a comer desde criança. Assim, a pizzaria e o estômago dos clientes vão estar sempre cheios, mesmo que metada seja catchup. E ainda esperando o paladar excêntrico chegar, eles podem criar pizzas fantasmas, digo, experimentais, e distribuir aos mendigos da cidade. Coitados.

Mas tudo dá certo porque o cliente sabe que vai se satisfazer, sabe que apesar de não conseguir reprimir suas vontades, ele está comprando em um lugar onde vão tentar adaptar o que é certo e original ao que ele quer. Ele confia nos ingredientes e profissionais da agência, digo, pizzaria!

*Ninguém perguntou, mas pizza minha, seja na pizza hut ou na tradicional contina italiana, sempre vai ser banhada em molho inglês gelada e mostarda provavelmente vencida.

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Post novo…

quinta-feira, dezembro 18th, 2008

…e de duplo sentido.

 

 

Deu pra entender que o duplo sentido é duplo também?

Ruim né?

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Propaganda sincera

segunda-feira, dezembro 8th, 2008

Lendo um jornal dos nossos vecinos, vi um anúncio do tipo que não estamos acostumados a fazer ou ver por aqui. 

Guardadas as devidas proporções, me fez lembrar do filme Crazy People - Muito Loucos, que conta a história de um publicitário que começa a dizer a verdade nas propagandas, é demitido, internado, e juntamente com os colegas de hospício, começa a fazer sucesso e atrair clientes com suas sinceras pérolas publicitárias.

Eu acredito que dizer a verdade pode dar muito certo.

Dizer para voar em tal compahia aérea porque seus aviões caem menos que dos concorrentes pode dar certo. Dizer para as pessoas comprarem em tal site, que apesar de ter a entrega mais demorada, entrega os produtos sempre sem defeitos, pode dar certo.

Fazer isso é se mostrar uma empresa humana, que apesar de ter defeitos, como todas as outras, possui qualidades. Encontrar coragem para fazer isso é que é complicado.

Direto do “El Mercurio de Valparaíso”:

Mas realmente interessante é a manchete do jornal.

ps: A propaganda de varejo em espanhol, para garantir a “cafonice vendedora” da “peça”, acaba utilizando muito mais pontos de exclamação que os nossos varejeiros.

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O péssimo negócio da China

quarta-feira, julho 23rd, 2008

Eles estão na moda.

Há tempos tudo é produzido pelos chineses, atuais anfitriões das Olimpíadas e futuros donos do mundo.

Eu não ligo se eles peidam alto em público, se arrotam uns na cara dos outros ou se sacaneiam o Tibet. Não reclamo quando ganho um lindo presente de uma marca holandesa, comprado no Canadá e me deparo com a etiqueta “made in china”.

O que me tira do sério é que eles produzem propagandas ruins com a mesma velocidade em que nadam dopados ou fazem DVD’s pirata.

Estava eu velejando pelo adsoftheworld quando fui atingido  seguidamente por vendavais asiáticos.

Primeiro, dois anúncios simplesmete ruins. Vou colocar as miniaturas aqui, mas adianto que não compensa clicar:

Mas essas não são as piores. Aliás, elas nem são tão ruins assim, e se brincar, ganhariam muitos prêmios aqui no Brasil. No Centro-Oeste nem se fala, seriam anúncios venerados e copiados por centenas de gerações criativas.

O triste mesmo é ver que por lá chegou a moda do desfocar-desalinhar-tremer anúncios. No Brasil essa artimanha criativa é velha, embora sempre tenha alguém capaz de recriar. Desfocam fotos para vender de lentes de contato a carros da ford. E não são pérolas que vão somente pro desencannes. Tem gente capaz de veicular essas atrocidades e colocá-las no portfólio, imaginando, talvez, serem originais.

Em propaganda nem sempre dá pra saber se algo é inédito, mas desfocar para falar de foco ou miopia é mais manjado que rima do Zezé di Camargo. E os publicitários chineses, que provavelmente não tiveram o prazer de ouvir nossa música sertaneja que me desculpem pelo trocadilho intratextual, mas perderam o foco:

Só pra constar, não tenho problemas pessoais com os chineses, apesar da coincidência de ser o segundo post seguido denegrindo a publicidade do país. Aqui é lugar de propaganda ruim, e não de xenofobia.

Para provar que não é nada pessoal, uma imagem que retrata que a natação brasileira é mais bombada que a chinesa:

Forte abraço a todos os chineses!

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