Archive for the ‘Crítica’ Category

Do caos ao…

domingo, janeiro 31st, 2010

Você se recicla. Busca novas idéias, faz cursos, passa horas a fio lapidando suas palavras. Você consegue uma cadeira mais macia, um salário melhor e mais respeito. Você alcança reconhecimento profissional, sucesso, e muito mais dinheiro. Mas, cá entre nós, você não se encontra. Isso é clichê, piegas, senso comum, e todas aquelas coisas que as grandes ideias parecem.

Parece Déjà vu. Parece que você precisa. Parece não, é uma certeza. E você precisa fazer isso agora. Antes que o mundo pese sobre seus ombros. Antes que você vire gente de verdade.

Certo, você já nasceu gente. Se acha mais gente que muita gente. Mas você não é. Nem mais, nem menos.

Essa foi uma introdução caótica para um projeto de paz e satisfação.

Após alguns anos praticamente sem férias, trabalhando 8 horas ou mais por dia, fazendo propaganda, falando de propaganda com todo mundo que fala sobre, escrevendo sobre propaganda neste blog, vivendo propaganda há mais de 8 anos, decidi fazer uma pausa. Não porque o número 8 deitado seja o infinito, mas porque pensar é preciso. E antes que essa possibilidade de pensar não seja mais uma opção, acelerei.

Posso me arrepender de dizer isto, principalmente se quiser voltar a trabalhar na área, mas o fato é que a publicidade tem me embrulhado o estômago. Cada dia chega mais gente querendo criar, escrever, layoutar, atender e planejar propaganda. E 70% são profissionais medíocres, querendo se juntar a um mundo de gente leiga ocupando postos importantes na nossa “indústria”.

Saí da faculdade movido a novidades, com sede de inovação, aflito por mais conhecimento, por técnicas mais eficazes de redação publicitária, por ideias realmente vendedoras. E me deparei com um mercado caquético, subnutrido. As empresas querem coisas novas, querem superar a concorrência, e as agências querem ajudar. Mas, apesar, todavia, entretanto, a mão nem tão invisível da ignorância que se acha demais, interpela o novo.

Gente que diz fazer, acontecer, twittar e enlouquecer, faz mais vender a si próprio do que um planejamento que tenda ao palpável, ao rentável.

Se não conseguem inovar, que façamos como nossos antepassados: ilustrações belas, com textos explicativos lindamente escritos. Façamos o bom e velho Alltype. Mas sem forçar modismos inatingíveis, sem passar rasteira na qualidade, sem ultrapassar a fronteira da ética e do bom gosto. Aqui no blog há muito tempo exponho e crítico tal tendência. Mas o nó é muito mais embaixo. Ler este desabafo pode te ajudar a compreender.

Por isso estou pulando fora. Não digo que não voltarei. Talvez volte pilhado, ligado e motivado. Simplesmente vidrado em fazer propaganda de qualidade. Talvez volte pensando em enveredar pra novas áreas dentro da publicidade, do marketing e da comunicação em geral. Talvez volte para trabalhar com RH, ou com um projeto audacioso para vender camarão na Praia do Futuro. Talvez eu nem volte.

Mas afinal, pra onde eu vou?

http://voltaremosvivos.blogspot.com/

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As palavras mais usadas em propaganda

quarta-feira, setembro 9th, 2009

Da mesma forma que os lutadores de judô brasileiros têm como único golpe o tal do “koka“, o Robert De Niro interpreta sempre ele mesmo, e o Hans Donner faz sempre as mesmas vinhetas e aberturas de novela, os publicitários também têm sua estratégia que quase sempre dá certo (ao contrário do koka dos nossos lutadores).

Para os redatores, esse golpe certeiro pode ser chamado de clichê, senso comum e pobreza vocabular. Por isso só utilizamos quando o cliente exige. Ou seja, ele é quem faz a mágica (que certamente não vai ajudá-lo a vender nada), mas é o nosso nome que suja. Inclusive tem um posto sobre isso aqui.

Nem todas as palavras (ou truques), são estúpidas e desnecessárias, a começar pela primeira, que inclusive deveria ter algum sinônimo para não ser tão repetida. Vamos ao…

RANKING DAS PALAVRAS E EXPRESSÕES MAIS UTILIZADAS PELA PUBLICIDADE BRASILEIRA.

1. Você.

2. Comodidade.

3. Comodidade e segurança.

4. Conforto e comodidade.

5. A maior e melhor

6. lorem ipsum:você.

7. qualidade.

8. qualidade total.

9. combrimos qualquer oferta.

10. O aniversário é nosso, mas quem ganha o presente é você.

Se lembrarem de outras podem dizer. Farei o mesmo. Ou, provavelmente, não.

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Propagandas ruins Amil

quinta-feira, julho 16th, 2009

A Amil, empresa de planos de saúde, lançou novo comercial. Não vou dizer as atrocidades e os xingamentos habituais. Já estão fazendo isso Twitter e internet afora.

Eu particularmente vejo mais problemas na atuação e na direção do filme do que na criação, que é genérica. Qualquer idéia, por mais estúpida que seja, pode livrar-se do ridículo se produzida com carinho.

Alguém se responsabiliza e dá a cara a tapa?

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Cassaram o mandato dos jornalistas

segunda-feira, junho 22nd, 2009

Que título horrível. Ou melhor, que péssima manchete. E cadê o “lide” do post? Vamos nos atentar às retrancas (crtl F + retranca).

Jornalismo é algo tão simples que em dois parágrafos a wikipedia explica os três únicos termos que eles tanto se gabam de saber o significado (se você não entendeu, estou falando das três palavras linkadas acima).

O fim da exigência de diploma para o exercício  do trabalho de jornalista, mesmo que o STF seja pressionado e volte atrás, é algo completamente justo, e demorou para acontecer. Demorou pela união da classe e pelos métodos escusos com que se defendem. Armados com suas fontes secretas e com o poder de ataque da mídia, constroem alianças nebulosas e ameaçam aqueles que podem derrubá-los.

OK…exagerei um pouco no tom. Não são hienas ou abutres famintos, são profissionais, que como quaisquer outros, querem respeito, dignidade e liberdade de expressão. O problema está na qualidade de grande parte dos profissionais, “graduados” em faculdades que mais parecem shoppings centers, que não ensinam o estudante a pensar, e pior ainda, aceitam alunos que mal sabem escrever - sim, todo mundo, de qualquer área, deve ser muito bem alfabetizado para poder entrar em uma universidade, principalmente de comunicação. O lugar de ser alfabetizado é a pré-escola, não a universidade.

A necessidade do diploma deveria existir somente para cursos como engenheria e medicina, que lidam com vidas. E Direito? Só a figura do advogado já é completamente descecessária. As leis são feitas para o conhecimento de todos, e ter alguém especializado nisso, em defender e atacar se aproveitando de brechas, prova que a sociedade deve ser toda revista.

Voltando ao assunto, quando entrei na faculdade de comunicação, para cursar Publicidade e Propaganda, sabia muito bem que a profissão não exigia diploma. Eu não estava ali em busca de um pedaço de papel (que aliás, ironicamente precisei pagar R$ 80 para retirar, isso em uma universidade pública), ou de exclusividade para trabalhar em algum lugar, mesmo sabendo que assim seria mais fácil. Eu estava ali em busca de conhecimento, o que, dado o grau de degradação da estrutura física e do corpo docente da faculdade, tive e ainda tenho que buscar em outros lugares.

O que faz o profissional ser aceito e respeitado no mercado não é o pedaço de papel, e sim sua competência. Que o digam os maiores publicitários do país, como Washington Olivetto (bacharel em nada), Roberto Justus (administrador) e o novato Wagner Martins (economista, mais conhecido como Mr. Manson, criador do Cocadaboa e sócio da Espalhe). Grandes dos atuais contadores de histórias reais (ou seja, jornalistas), também são formados em outras áreas, ou em nada, como Dráuzio Varella (médico), Jô Soares e outros muito melhores que não me recordo agora. E imaginem se o Faustão, que cursou medicina e se formou em direito pela USP, precisasse de diploma de Apresentador?

O que me motivou a escrever esse post foi o artigo (ou matéria?) que li no blog Rio Acima, do jornalista Marcelo Migliaccio,  que ficou muito melhor e mais respeitoso que o meu, mas ainda assim voraz em seu apoio à liberdade de expressão.

Não gosto de replicar grandes pedaços de texto, e mesmo com o original linkado acima, pelo menos o final merece ser repetido aqui:

“Até o jornalista esportivo carece de conhecimento especializado. Quantas vezes assisto a um jogo de futebol e, no dia seguinte, quando vou ler as críticas às atuações dos jogadores fico revoltado. Um cara que jogou bem taticamente leva nota baixa e um perna de pau que fez um gol de canela é alçado à condição de novo ídolo da nação. Os melhores analistas de futebol que já vi _ Tostão, João Saldanha e Casagrande _ nunca sentaram numa faculdade de jornalismo, mas se expressam (pretérito no caso do Saldanha) maravilhosamente, tanto em texto quanto diante de uma câmera. E, se tiverem que fazer uma entrevista, o farão sem problemas, porque perguntar é uma coisa natural até para uma criança de 2 anos.”

Caso a obrigatoriedade do diploma retorne, cadastre-se em uma dessas cantinas/universidades que têm em toda esquina e pegue seu diploma em menos de dois anos. Formado, você vai poder dar uma de Luciano do Valle.

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Festival Mundial de Publicidade de Gramado 2009 - II

segunda-feira, junho 8th, 2009

Chegou ao fim mais um Festival. (oficial).

Nunca ganhei tão poucos brindes. Além de jornais bobos, a única coisa que faturei foi uma fatia de marshmallow. Foi-se o tempo em que patrocinadores distribuíam revistas e brindes como bonés, chaveiros e broxes. Nem a capanguinha (sacola, porta-coisas, bolsa) do Festival em peguei, e por um simples motivo:

EU NÃO FIZ INSCRIÇÃO.

Isso mesmo. NÃO PAGUEI UM CENTAVO PARA PARTICIPAR DO EVENTO. Nas edições de 2003 e 2005, ainda estudante, ainda mais quebrado, paguei o montante exigido pela inscrição, ganhei bolsinha, bloquinho, canetinha e todos esses brindezinhos vagabundinhos, mas tive que assistir muitas palestras em pé, enquanto colegas que sabidamente não tinham se inscrito se esbaldavam nas cadeiras e festas do evento.

E é por isso que o Brasil não vai pra frente. Por essas atitudes baixas, vingativas, de brasileiro médio metido a esperto só porque corta o congestionamento pela direita, fura a fila do pão, entra no elevador antes das pessoas saírem e acha graça em entrar de penetra, o país é uma vergonha.

Ok, o problema nacional pode ser desvio de caráter, mas o do Festival de Gramado é falta organização. Nenhum malandrinho entraria sem pagar se houvessem catracas, seguranças ou qualquer outro veta-golpe. E outra:

QUEM LIGA PARA O FESTIVAL?

A Governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, imersa em escândalos e afogada em falta de popularidade, abriu com pompa o evento. Nelson Sirotsky, filho de Maurício Sirotsky Sobrinho e Proprietário do Grupo RBS, fez discurso solene. Ex-presidentes do Festival e o patrono Washington Olivetto preencheram a bancada. O dono da W/Brasil mostrou que o comercial da Valisere, do primeiro sutiã, ainda hoje serve de inspiração para campanhas de todo o mundo e vez ou outra é lembrado por personalidades nacionais. Com slides em inglês, “aproveitados de uma palestra dada em Londres”, Olivetto destacou a “inovação” das novas campanhas da W/Brasil.

Nada muito genial. Uma ação aqui, uma coisa tecnológica ali, uma guerrilha acolá, e vejo a maior agência da história no mesmo patamar de qualquer boutique de criação em Roraima. Claro que com mais dinheiro, clientes mais receptivos e um proprietário famoso, mas a mesma essência, com a tal “inovação” que já está sendo feita por todo mundo.

Interessante mesmo nesse dia foi saber que o William Bonner é publicitário, e pasmem, trabalhou como redator. O apresentador apareceu em um telão, em plena bancada do Jornal Nacional, para remotamente receber um prêmio desconhecido. Já Marcelo Serpa, que estava cotado para fazer a palestra de encerramento, também deu as caras só pelo telão, justificando a ausência por estar de férias. Nem precisava se explicar, quem segue o twitter dele sabe muito bem que ele estava na Índia. Aliás, Marcelo, se eu fosse você, desligaria o MacAir e iria descansar de verdade.

Além de palpitar em O Aprendiz (com sugestões que o Justus nunca segue) e trabalhar no Grupo Newcomm, Walter Longo serve para dar ótimas palestras. Sem dúvidas o mais comentado e admirado do evento, ele foi aplaudido de pé. Provando ser muito mais que um jurado dos tempos modernos, que um Pedro de Lara ou uma Sônia Lima com cargo de executivo, ele criticou, exemplificou e fez uma apresentação verdadeiramente interessante e inovadora.

Profissionais estrangeiros e de agências da moda também discursaram para a massa majoritariamente estudantial: muitos de AllStar, Adidas, óculos aro grosso, enfeitados de clichês visuais do mundo publicitário, mas em grande parte, realmente interessados em aprender, inovar e vender a própria dignidade a preço de banana.

E o pior: O destino de todos eles é cair nas doces páginas do Vamos Falar Mal.

Logo mais, ou semana que vem, um post com fotos e vídeos do evento.

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Tchau, linha editoral

quarta-feira, março 11th, 2009

Motivado por um comentário sobre este querido blog no CCSP, também vou entrar na onda mundial da propaganda e começar a elogiar. Mas não vou fazer como a maioria, que elogia qualquer comercial do Magazine Luíza, em busca de prestígio junto aos grandes clientes e agências.

Vou falar bem do que é realmente bom.

Não sei se vou suportar por muito tempo essa “linha editorial” politicamente correta, mas enquanto conseguir, me calarei para as atrocidades mundiais contra a propaganda e só falarei de coisas bonitas.

 

O comentário indignado com minhas verdades foi postado por um certo e serelepe “rui” no Clube de Criação de São Paulo, logo após eu ter dito que não sabia se o novo comercial de varejo da Peugeot era bom ou ruim. Critico tudo, e quando subo no muro sou atacado por ser virulento demais. Enfim, eis a bravata motivadora:

rui - Nivaldo, fica lá no seu site que só fala mal de tudo e deixa as pessoas do bem aqui. não queira contaminar o clubeonline. aliás, dê a mão ao luth e saia por aí, de bar em bar, falando mal de tudo que quiser. só nos deixe em paz.”

Apesar de ter me motivado, como despedida temporária das críticas, vou interpretar o que o ingênuo leitor puxa-saco do CCSP quis dizer.

Fica lá no seu site que só fala mal de tudo - Obrigado por se referir ao Vamos Falar Mal como site, embora eu prefira “Portal”. E ao dizer que falo mal de “tudo”, é você quem chama de lixo toda e qualquer produção publicitária. Já aqui, o tema são só as coisas ruins.

Deixa as pessoas do bem aqui - Creio que você novamente errou na conjugação do imperativo e dos seres humanos. Pessoas do bem para você são os puxa-sacos e baba-ovos das grandes agências? Ou pessoas do bem são apenas aqueles que não tem coragem de dizer o que realmente pensam?

Não queira contaminar o clubeonline - Adoro o CCSP! Ele permite todo e qualquer tipo de comentário, e democracia é algo lindo, principalmente quando falamos sobre propaganda. Contaminação mesmo são os puxa-sacos como você, que mais parecem “spam”, de tantos comentários iguais que fazem.

Saia por aí, de bar em bar, falando mal de tudo que quiser - Isso eu já faço. Adoro conhecer bares e falar mal do que é realmente ruim. Não deixo de criticar e assumir que critico, ao invés de ficar constipado com minhas reais opiniões.

Só nos deixe em paz - Você se refere a você e outros puxa-sacos? Vou continuar lendo o CCSP, que está repleto de bons artigos e pessoas com opiniões sinceras, apesar da praga dos puxa-sacos. Pode ficar babando em quem você quiser, mas saiba que todo mundo percebe. E você vai descobrir que seus inimigos não são os críticos, mas os outros puxa-sacos, todos disputando os mesmos sacos.

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Propaganda no mundo da Lua

quinta-feira, março 5th, 2009

Ou Peugeot 207 parte XVII.

Noticiada pelo CCSP, a nova campanha da Peugeot do Brasil é estranha e com foco em vendas. Criada pela Loducca, mostra ofertas do 307 Sedan e 207 SW, que estão estacionados na Lua, como se fossem da linha Apolo. O locutor também está no nosso querido e iluminado satélite natural, com indumentária de astronauta e discurso de vendedor.

Vá na página do artigo e em “clique aqui” para assistir.

Não sei mais o que pensar da publicidade brasileira. A dupla Peugeot & Loducca, depois da bizarra campanha de lançamento do 207, intitulada “Escute seu corpo”, parece ter aprendido que ser surreal demais serve só pra MTV, e não para construir marcas sérias e vender carros.

Minha opinião realmente está confusa. Gostar eu não gostei, sempre dá pra ter alguma idéia antes de torrar dinheiro por torrar, mas, não sei porque, tenho a impressão que esse comercial dá aos carros a aura da tecnologia e dos preços baixos.

Vá saber…lavo minhas mãos.

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Movidos a dinheiro

sábado, fevereiro 28th, 2009

O CCSP divulgou campanha da Neogama/BBH para o GP Latino-Americano do Jockeys Club. Dentre as peças da campanhas estão anúncios, cartazes, totens, painéis e e-mail marketing, chamando para o evento, no Jockey Club de São Paulo.

Mas o que o Vamos Falar Mal tem a ver com isso? Afinal, a campanha já foi feita e aprovada e o CCSP já está fazendo a divulgação dele no nosso minúsculo meio publicitário, não é mesmo!?

Acontece que a idéia da campanha é muito estranha, para não dizer grotesca.

Não sei exatamente qual o público alvo da empreitada, logo da campanha, mas mesmo que sejam apenas velhos sorvinas, viciados em apostas, anões capitalistas e a alta sociedade falida ou emergente, não justifica a idéia cruel adotada pelos publicitários. Nem mesmo o prêmio, que promete ser milionário, pode salvar os responsáveis pela bobagem.

O jóquei é retratado como um boneco imbecil, fantoche dos apostadores, plastificado, retardado e desprovido de sentimentos. O cavalo, animal que há séculos nunca se revoltou em servir aos objetivos humanos, e muitas vezes é cruelmente utlizado como trator, dessa vez não teve apenas o lobo ferido, teve a moral machucada. Como se o seu combustível fosse apenas dinheiro, e não ração, capim e bons tratos, e seu interior, apenas um motor de aço, e pulmões sofridos e um coração.

Eu preferia apenas ter dito que a direção de arte está descuidada e infantil, e que o texto e o background estão pobres, mas a idéia que o anúncio traz machuca muito mais.

Não é a idéia do blog defender nada. Direitos de humanos, animais e publicitários nunca foi o foco do Vamos Falar Mal. Longe de mim querer ser fanático por qualquer coisa, mas acho que se expressaram muito mal, ainda mais com um tema diferente assim, que permite inúmeras idéias, divertidas, ousadas ou apenas vendedoras.

Façam humor-negro, humilhem as minorias, as maiorias, sejam politicamente incorretos, critiquem religiões, políticos, personalidades, desconhecidos ou o própria mãe, mas fazer um coisa feia, sem graça, sem conteúdo e ofensiva dessas é não ter noção de nada.

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Quer copiar quanto!?

terça-feira, fevereiro 10th, 2009

O pobre do Fabiano Augusto*, que nunca teve culpa de nada (muito menos da própria voz), dessa vez é ainda mais inocente. Ele só está aqui para ilustrar. Inclusive sinto saudade dos horríveis, porém originais comerciais antigos das Casas Bahia*.

A loja, que tem a Bahia só no nome, abandonou, pelo menos temporariamete, sua comunicação vívida, amarela e vermelha, cheia de gritos, confetes e serpentinas, e partiu para pancadão a la Ricardo Eletro, com fundo preto, bigornas caindo e tudo.

Não encontrei no youtube e muito menos vou gravar e “upar” tal comercial das Casas Bahia, mas assistindo o da concorrência, logo abaixo, de tabela você assiste os dois, tamanha a “coincidência”.

Será que essas coisas caindo realmente fazem a rede vender mais? Não seria melhor pensar uma coisa nova, ao invés buscar “inspiração” no rival? Seria idéia do administrador Roberto Justus? Nunca vou entender isso de imitação, principalmente porque o original é sempre melhor. E mesmo se não for, pelo menos é original.

Quem faz mais barato eu não sei, mas quem copia está mais do que provado.

*O Fabiano atualmente protagoniza, juntamente com móveis e eletrodomésticos, a campanha das lojas Maranata, de Brasília, se não me engano.

*A rede do mascote com cara de cangaceiro de butique finalmente criou sua loja virtual. Para o e-comerce mantiveram a linha tradicional, com amarelo, azul e confetes vibrantes. Os preços altos devem ter copiado do Submarino.  Já a loja do senhor Ricardo continua com seu velho site, que vende as coisas com preços competitivos, mas com um visual mais antigo que de uma TV de tubo da Sharp (ou Philco, ou Semp Toshiba, ou Sanyo, ou Phillips, ou Gradiente, ou Sony, ou Panasonic, ou CCE e assim por diante…)

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SEMGRASSA (liberdade poética trocadilhesca)

sexta-feira, janeiro 23rd, 2009

Às vezes eu acho que o CCSP fica sem assunto.

Não vou nem culpar a agência encarregada pelo anúncio:

Afinal, quem nunca precisou fazer um anúncio em menos de 3 minutos que atire a primeira pedra.

Essa pode ser a única justificativa para a “criação” de um all type sem graça e sem conteúdo, que por ser de uma cerveja com um nome desses e para o aniversário de uma cidade como São Paulo, tinha os ingredientes perfeitos para uma bela idéia. Será que o tio Olivetto viu?

Mas como disse, isso não importa.

Como é que pode um portal quem tem no nome a palavra “criação”, publicar uma notícia para um anúncio desse nível!? Estaria o CCSP também sem conteúdo?

Sinceramente, um diretor de criação do interior de Roraima só aprovaria tal peça se o prazo estivesse estourado, e a Gazeta de Mandiocal ficaria triste por estragar suas páginas com a pérola. E duvido que o Clube de Criação de Roraima ousaria transformar uma dessas em notícia. 

Francamente…

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Forno a lenha publicidade e propaganda

sexta-feira, janeiro 23rd, 2009

Você já deve ter lido um texto que mostra como o “cliente de agência de propaganda agiria se tratasse todos de quem ele “compra” do mesmo modo que trata a agência.”

É interessante, mas obviamente parcial, feito para ser engraçado para publicitários, coisa que realmente é. E agora, vou tentar fazer aqui uma analogia séria,  que compara a agência com uma pizzaria, ou qualquer negócio, e talvez você entenda que o cliente tem quase sempre razão.

O mestre pizzaiolo da melhor pizzaria da cidade estudou culinária avançada por 9 anos em Nápole, na Itália, onde fez estágio em pizzaria experimental e criativa.

Em sua equipe, está um nutricionista com doutorado em Montreal, que planeja aonde vai entrar cada ckal de queijo, e um picador de calabresa com passagem pelas maiores organizações sicilianas e garçons capazes de atender com requinte as multidões mais chiques e esfomeadas.

As pizzas preparadas são altamente nutritivas e saborosas. Cada azeitona é milimetricamente arranjada sobre o queijo borbulhante, que cobre pedaços de presunto picante, champignons e uma massa divinamente crocante. Ao formularem o cardápio, o nutricionista e o pizzaiolo concluíram que a pizza deveria ter uma pitada de óregano, pois pesquisas de opinião realizadas em mais de 30 países e no próprio bairro, apontam que 81% das pessoas gostam de orégano.

E tal pizza foi escolhida pelo cliente, um chefe de família de classe média alta, levemente grisalho, casado com uma senhora obesa, e pai de um casal de filhos sardentos, sendo que a meninsa é alérgica a presunto defumado. O cliente pediu que metade da pizza viesse sem presunto, e que a outra metade viesse com muçarela de búfala, para tentar deter a expansão corporal de sua amada.

O pizzaiolo sabe que o sabor da muçarela do possante bufalino não combina com sua massa, e que sem o presunto, a outra metade vai ficar sem graça. O garçom, que não é bobo, sabe que a senhora, que não é gorda à toa, vai pegar só o presunto de sua metade e vai atacar o queijo gorduroso da parte das crianças.

Como o menino está em fase de crescimento e criou caso com a pouca comida, pediram uma  portuguesa média com quantidade dobrada de ovos e sem cebola.

A equipe contestou? O pizzaiolo se recusou a seguir a sugestão do cliente? O nutricionista deu escândalo, dizendo que estudou anos em vão? O picador de calabresa foi demitido só porque a moda agora é o presunto? O garçom riu da cara deles?

NÃO!

Eles simplesmente fizeram a pizza, mesmo sabendo que a velha vai ficar mais gorda, que a menina vai acabar no hospital com crise alérgica depois de comer o presunto alheio, que o menino vai ter gases e que o pai vai parcelar a conta em três vezes e pedir um cafezinho grátis.

Eles fizeram porque o trabalho deles não é ganhar o prêmio Fornalha de Ouro, ou tentar empurrar teorias gastronômicas nos clientes. Eles fizeram porque sabem que o cliente conhece o próprio estômago melhor que qualquer phd, que mesmo que o cliente saiba que pode passar mal e se arrepender de certa combinação*, o paladar e o dinheiro são dele. A equipe da pizzaria sabe que provavelmente não fique gostoso ou saudável, e pode até sugerir isso, mas não tem o direito de vomitar teorias, que aliás, não são comestíveis.

Um dia vai chegar um cliente com coragem de encarar a receita com roquefort, agrião e chedar, criada num insight matinal do pizzaiolo, o cliente vai dizer que é a pizza mais gostosa que já comeu na vida, vai contar pra todo mundo e a cantina italiana vai ficar recheada de prêmios.

Mas enquanto isso, seguem criando opções mais aceitas, mesclando combinações perfeitas com as vontades do cliente, com o que ele está acostumado a comer desde criança. Assim, a pizzaria e o estômago dos clientes vão estar sempre cheios, mesmo que metada seja catchup. E ainda esperando o paladar excêntrico chegar, eles podem criar pizzas fantasmas, digo, experimentais, e distribuir aos mendigos da cidade. Coitados.

Mas tudo dá certo porque o cliente sabe que vai se satisfazer, sabe que apesar de não conseguir reprimir suas vontades, ele está comprando em um lugar onde vão tentar adaptar o que é certo e original ao que ele quer. Ele confia nos ingredientes e profissionais da agência, digo, pizzaria!

*Ninguém perguntou, mas pizza minha, seja na pizza hut ou na tradicional contina italiana, sempre vai ser banhada em molho inglês gelada e mostarda provavelmente vencida.

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