Archive for the ‘Direção de arte ruim’ Category

Movidos a dinheiro

sábado, fevereiro 28th, 2009

O CCSP divulgou campanha da Neogama/BBH para o GP Latino-Americano do Jockeys Club. Dentre as peças da campanhas estão anúncios, cartazes, totens, painéis e e-mail marketing, chamando para o evento, no Jockey Club de São Paulo.

Mas o que o Vamos Falar Mal tem a ver com isso? Afinal, a campanha já foi feita e aprovada e o CCSP já está fazendo a divulgação dele no nosso minúsculo meio publicitário, não é mesmo!?

Acontece que a idéia da campanha é muito estranha, para não dizer grotesca.

Não sei exatamente qual o público alvo da empreitada, logo da campanha, mas mesmo que sejam apenas velhos sorvinas, viciados em apostas, anões capitalistas e a alta sociedade falida ou emergente, não justifica a idéia cruel adotada pelos publicitários. Nem mesmo o prêmio, que promete ser milionário, pode salvar os responsáveis pela bobagem.

O jóquei é retratado como um boneco imbecil, fantoche dos apostadores, plastificado, retardado e desprovido de sentimentos. O cavalo, animal que há séculos nunca se revoltou em servir aos objetivos humanos, e muitas vezes é cruelmente utlizado como trator, dessa vez não teve apenas o lobo ferido, teve a moral machucada. Como se o seu combustível fosse apenas dinheiro, e não ração, capim e bons tratos, e seu interior, apenas um motor de aço, e pulmões sofridos e um coração.

Eu preferia apenas ter dito que a direção de arte está descuidada e infantil, e que o texto e o background estão pobres, mas a idéia que o anúncio traz machuca muito mais.

Não é a idéia do blog defender nada. Direitos de humanos, animais e publicitários nunca foi o foco do Vamos Falar Mal. Longe de mim querer ser fanático por qualquer coisa, mas acho que se expressaram muito mal, ainda mais com um tema diferente assim, que permite inúmeras idéias, divertidas, ousadas ou apenas vendedoras.

Façam humor-negro, humilhem as minorias, as maiorias, sejam politicamente incorretos, critiquem religiões, políticos, personalidades, desconhecidos ou o própria mãe, mas fazer um coisa feia, sem graça, sem conteúdo e ofensiva dessas é não ter noção de nada.

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Fantasmas of the world

quarta-feira, janeiro 21st, 2009

Nos primórdios do Vamos Falar Mal, ainda sob as asas do Wordpress, a maioria do posts criticava anúncios publicados no ads of the world. Nunca fiz muita questão de verificar qual era a do site, mas me esforçava para acreditar que eram anúncios e comerciais reais, que talvez até passassem por algum tipo de seleção.

Mas agora chegou a vez do próprio Ads of the World arder no mármore universal do VFM. Aquela droga de site publica qualquer coisa, não tem o menor critério, permite que qualquer padaria do Cazaquistão coloque suas “coisas” lá. E o pior: uma propaganda pode até ser ruim, talvez uns gostem, outros não, mas para ser propaganda, para uma imagem tratada no photoshop e com um texto em cima ser considerada um anúncio, precisa, acima de tudo, ser veiculada, nem que seja em um folder da ala psiquiátrica de um hospital público na periferia de algum país subdesenvolvido.

E pior ainda (ou não), é que pensam que qualquer porcaria diferente é criativa.

A chance de eu estar falando merda é inversamente proporcional* à possibilidade desses anúncios serem realmente publicados graças ao poder de persuasão do atendimento e ao desapego de algum empresário viciado ou apaixonado pela profissional citada.

Esses anúncios, hora chupadas, hora idiotices, mas sempre desnecessários, estão se proliferando no Ads. Alguns exemplos, que aposto a alma do diretor de arte de que são fantasmas:

 

 

*O ditado matemático está correto no contexto?

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Semp atrasados

terça-feira, outubro 7th, 2008

Tanto critico a internet “2.0″, as campanhas “interativas” e o fim da propaganda moleque, mas agora fiquei triste com a Semp Toshiba por motivos completamente opostos. Acho que me acostumei com essa droga toda que está por aí.

Não tenho nenhum produto da Semp Toshiba e não sei como falar nada da qualidade da empresa, já sua comunicação tem razões de sobra pra ser criticada.

É notícia lá no CCSP a campanha “Um país chamado Semp Toshiba”, criada pela Talent. Com foco na história do grupo, eles fizeram uma campanha antiquada, pelo menos no que vi. Como é uma terrível odisséia conseguir assistir os vídeos postados pelo Clube de Criação de São Paulo, só posso comentar os anúncios.

Três páginas, títulos gigantes e uma “arte” que parece feita no Power Point. Se tivesse sido criado nas décadas de 70 ou 80, teria faturado no mínimo 15 leões em Cannes e alçaria os criadores ao panteão da publicidade brasileira. Nos anos 90, enriqueceria a agência e a dupla criativa, que logo abriria um “bureau” de idéias.

Mas hoje, quase na segunda década dos anos 2000, no máximo seria escolhida para o anuário do Clube de Criação de Roraima. Isso hipoteticamente pensando que vivemos em uma sociedade justa e honesta.

Entretanto, em comparação com o site da empresa, a campanha está linda, criativa e ultra moderna.

E eu, que tanto critiquei a internet 2.0, os sites 100% em flash, a interação em detrimento do informação, agora estou achando ruim, feio e sem graça um site leve e de fácil navegação.

Maldita convivência com layouts lindos e animações engraçadinhas!

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A lógica da direção de arte

segunda-feira, agosto 18th, 2008

Não vou entrar no mérito dos detalhes. Assim como 98% da população mundial, não me importo com qual tom de verde o anúncio utiliza, se fica melhor com arial black ou arial sem black.

Admiro quando uma imagem fica bonita, e concordo que um belo layout na propaganda possa atrair o consumidor. Mas defendo a lógica, o enlace de idéias. Essa moda dos anúncio abstratos, que está cada vez mais forte, está matando a propaganda. Imagens sem sentido estão por toda parte. Layouts maravilhosos, imagens lindas e fru-frus que não acrescentam nada ao texto ou ao produto estão tomando conta de revistas, sites, banheiros de boteco e de todos os lugares por onde circula a publicidade.

Existe uma poderosa mão invisível (pelo menos eu não exergo) calando e/ou fazendo prevalecer a beleza vazia sobre a idéia. A “real beleza” da publicidade deve ser a união de todos os elementos possíveis para que a imagem do cliente, essa sim, seja atraente.

Encontrei alguns exemplos não perfeitos de anúncios que mostram a diferença entre a arte dadaísta dessa estúpida moda e a verdadeira direção de arte. Acho que não preciso dizer qual das campanhas foi feita por profissionais competentes:

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