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Cuat

quinta-feira, junho 12th, 2008

Dia desses assisti uma palestra com o Ulisses Zamboni, sócio da Santa Clara. O cara fala bem, e parece que trabalha melhor ainda. Pelo que disse, a agêcia tem como diferencial um super planejamento. Ele foi convidado para falar devido ao sucesso do funktube, mas ele queria mesmo era mostrar o case do kuat. A platéia, com a maioria de estudantes, babou na apresentação, e não foi de sono. Zamboni contou desde o momento em que recebeu o convite para ser responsável pela remodelação da marca, e em seguida partiu para a identificação do problema pela Santa Clara.

O vídeo que fizeram para mostrar à diretoria da Coca-Cola (dona do Kuat) quem era o consumidor de Kuat foi de arrepiar. Então ele mostrou a construção da nova logo e do novo rótulo do refrigerante em cada detalhe. Mostrou porque alongaram a perna do “K” em 30%, porque praticamente sumiram com a palavra “guaraná” e coisas desse tipo.

Apesar de achar que muita coisa foi inventada só pra palestra ficar mais crível, afinal era um case principalmente de planejamento, o Kuat realmente ficou muito mais bonito. Quem vê a embalagem até pensa que é um suco egípcio, chopp engarrafado ou ouro líquido que tem ali naquela garrafa pet, e esse é o problema.

Ficou bonito demais para ser um simples Kuat. O Zamboni insistiu a palestra toda que em testes cegos a maioria acha o Kuat mais gostoso que o Antártica, e que a nova identidade deveria mostrar que o produto confia em seu próprio potencial. Só que, na minha opinião enganaram o pobre. Não conheço ninguém que gosta daquilo, e olha que a maioria das pessoas que conheço está dentro do target da marca. O que estou ouvindo aqui na vida real, de pessoas que não estão nem aí pra publicidade ou design, é que o Kuat está parecendo óleo de cozinha, e que além de ser ruim, agora está esquisito.

Depois de ter ficado empolgado com a apresentação, pensando que a propaganda poderia ser algo tão sério e calculado quanto a engenharia, e que se minuciosamente planejada, tratada como uma cirurgia em um paciente terminal, sei lá, necessariamente teria um resultado final estupendo. Maldita ilusão. Quando vi o VT foi como se as luzes do cinema tivessem se acendido. Tenho que perder essa mania de entrar demais no filme, de acreditar demais no palestrante, mesmo que só durante a palestra. Esperei até o último segundo por algo que mostrasse onde ali eles utilizaram tanto planejamento, tanta pesquisa, tanto dinheiro. Talvez só lhes tenha faltado idéias.

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É mais um daqueles comerciais sem sentido da MTV? Onde está o conceito? Onde está o público alvo? Onde está o produto? Onde está o apelo? Alguém sabe? Comentem tomando um delicioso Guaraná Antárctica.

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