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Tricotando aço inox

quinta-feira, outubro 15th, 2009

Bom dia, meus saudosos leitores. Sei que todos que assinam o feed, salvam nos favoritos ou caem no blog sem querer, querem é ver críticas a propagandas. Sejam filmes, spots, banners de internet, anúncios e etc, todos querem deboche, escárnio. Querem ver o OCO. Querem ver os absurdos que as agências soltam por aí, até mesmo as grandes grifes da criatividade mundial.

E vocês estão certos.

Eles merecem o nosso desprezo. Assim como eu mereço o desprezo deles e de vocês, e todos merecem o veneno vil do Vamos Falar Mal.

Propaganda é fofoca. E fofoca é dispensável. Nós estudamos, nos especializamos e passamos nossos dias fazendo nada mais que fofoca.

“Meu cliente é melhor que o seu. Que logo horrível. Que layout de merda. Que título fraco.”

Refazemos o título e o layout. Refazemos tudo. E o mandante dos crimes, chamado de “cliente”, acha tudo lindo, tudo uma maravilha para o seu lixo de empresa.

Dizemos que a fábrica deles é sustentável. Que eles tratam o lixo. Que o atendimento é o melhor e os funcionários estão sempre sorridentes.

Sorridentes? Aquelas pessoas mal pagas, de uniformes sujos e com as caras ensebadas pelo desprezo do mundo não têm como estampar felicidade no atendimento.

Nem nós, publicitários fofoqueiros, que trabalhamos em salas brancas, limpas, com 17 ºC de temperatura, ouvindo nossas músicas internacionais em nossos fones phillips, temos felicidade intensa estampada em nossas faces pálidas de criatividade. Pobres atendentes da C&A, ou Riachuelo, ou Carrefour e etc. Pobres feirantes.

Vermes.

Somos vermes mentirosos. Pagos para mentir. E às vezes, o fazemos com prazer, com um sorriso de Coringa.

Rimos de combinações feias de cores. Odiamos erros de portguês. Mandamos reimprimir milhares de folhetos por uma simples falta de acento no título. E não sentimos pena das árvores derrubadas. Ninguém sente pena de nós.

Pena é para os fracos. Não queremos pena. Queremos o dinheiro das empresas. Afina, eles também não prestam. Pagam mal, mentem, sonegam impostos. Falcatruas, trambiques! É tudo parte do jogo, do bolo que criamos e alimentamos dia e noite. Um bolo complexo, sujo, enferrujado. Um bolo sem fim, que se embaraça como lã e corta como faca. Um bolo duro, eterno, impossível de alinhar. Um bolo de aço inox.

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Forno a lenha publicidade e propaganda

sexta-feira, janeiro 23rd, 2009

Você já deve ter lido um texto que mostra como o “cliente de agência de propaganda agiria se tratasse todos de quem ele “compra” do mesmo modo que trata a agência.”

É interessante, mas obviamente parcial, feito para ser engraçado para publicitários, coisa que realmente é. E agora, vou tentar fazer aqui uma analogia séria,  que compara a agência com uma pizzaria, ou qualquer negócio, e talvez você entenda que o cliente tem quase sempre razão.

O mestre pizzaiolo da melhor pizzaria da cidade estudou culinária avançada por 9 anos em Nápole, na Itália, onde fez estágio em pizzaria experimental e criativa.

Em sua equipe, está um nutricionista com doutorado em Montreal, que planeja aonde vai entrar cada ckal de queijo, e um picador de calabresa com passagem pelas maiores organizações sicilianas e garçons capazes de atender com requinte as multidões mais chiques e esfomeadas.

As pizzas preparadas são altamente nutritivas e saborosas. Cada azeitona é milimetricamente arranjada sobre o queijo borbulhante, que cobre pedaços de presunto picante, champignons e uma massa divinamente crocante. Ao formularem o cardápio, o nutricionista e o pizzaiolo concluíram que a pizza deveria ter uma pitada de óregano, pois pesquisas de opinião realizadas em mais de 30 países e no próprio bairro, apontam que 81% das pessoas gostam de orégano.

E tal pizza foi escolhida pelo cliente, um chefe de família de classe média alta, levemente grisalho, casado com uma senhora obesa, e pai de um casal de filhos sardentos, sendo que a meninsa é alérgica a presunto defumado. O cliente pediu que metade da pizza viesse sem presunto, e que a outra metade viesse com muçarela de búfala, para tentar deter a expansão corporal de sua amada.

O pizzaiolo sabe que o sabor da muçarela do possante bufalino não combina com sua massa, e que sem o presunto, a outra metade vai ficar sem graça. O garçom, que não é bobo, sabe que a senhora, que não é gorda à toa, vai pegar só o presunto de sua metade e vai atacar o queijo gorduroso da parte das crianças.

Como o menino está em fase de crescimento e criou caso com a pouca comida, pediram uma  portuguesa média com quantidade dobrada de ovos e sem cebola.

A equipe contestou? O pizzaiolo se recusou a seguir a sugestão do cliente? O nutricionista deu escândalo, dizendo que estudou anos em vão? O picador de calabresa foi demitido só porque a moda agora é o presunto? O garçom riu da cara deles?

NÃO!

Eles simplesmente fizeram a pizza, mesmo sabendo que a velha vai ficar mais gorda, que a menina vai acabar no hospital com crise alérgica depois de comer o presunto alheio, que o menino vai ter gases e que o pai vai parcelar a conta em três vezes e pedir um cafezinho grátis.

Eles fizeram porque o trabalho deles não é ganhar o prêmio Fornalha de Ouro, ou tentar empurrar teorias gastronômicas nos clientes. Eles fizeram porque sabem que o cliente conhece o próprio estômago melhor que qualquer phd, que mesmo que o cliente saiba que pode passar mal e se arrepender de certa combinação*, o paladar e o dinheiro são dele. A equipe da pizzaria sabe que provavelmente não fique gostoso ou saudável, e pode até sugerir isso, mas não tem o direito de vomitar teorias, que aliás, não são comestíveis.

Um dia vai chegar um cliente com coragem de encarar a receita com roquefort, agrião e chedar, criada num insight matinal do pizzaiolo, o cliente vai dizer que é a pizza mais gostosa que já comeu na vida, vai contar pra todo mundo e a cantina italiana vai ficar recheada de prêmios.

Mas enquanto isso, seguem criando opções mais aceitas, mesclando combinações perfeitas com as vontades do cliente, com o que ele está acostumado a comer desde criança. Assim, a pizzaria e o estômago dos clientes vão estar sempre cheios, mesmo que metada seja catchup. E ainda esperando o paladar excêntrico chegar, eles podem criar pizzas fantasmas, digo, experimentais, e distribuir aos mendigos da cidade. Coitados.

Mas tudo dá certo porque o cliente sabe que vai se satisfazer, sabe que apesar de não conseguir reprimir suas vontades, ele está comprando em um lugar onde vão tentar adaptar o que é certo e original ao que ele quer. Ele confia nos ingredientes e profissionais da agência, digo, pizzaria!

*Ninguém perguntou, mas pizza minha, seja na pizza hut ou na tradicional contina italiana, sempre vai ser banhada em molho inglês gelada e mostarda provavelmente vencida.

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Fofoca Propaganda e Marketing

terça-feira, outubro 28th, 2008

Está cada dia mais difícil “fazer” um post.

É porque posts não são feitos, eles chegam até nós e simplesmente ganham forma.

Me sugeriram falar sobre a famosa briga do Nizan Africa com o Fernandes Nazca, mas não faço idéia do que aconteceu. Não vi vídeos ou li matérias.

Prefiro muito mais as fofocas da Britney Spears, os barracos da Luana Piovanni e as mudanças doidas que o Silvio Santos faz na programação do SBT.

Discutir propaganda? Prefiro discutir religião com fanáticos ou futebol com torcedores idiotas. Aliás, só o termo “torcedor” já mostra que o ser só pode ser um idiota.

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