Posts Tagged ‘kuat’

A velha e boa maneira de fazer comercial

quarta-feira, dezembro 17th, 2008

Já deve estar quase deixando de ser veiculado, mas cada vez que passa, eu gosto mais do comercial do Space Fox.

Eles utilizaram de maneira brilhante fórmulas clássicas de propaganda. Um bicho de estimação inteligente, divertido e amigo, o “cachorro peixe”, belas paisagens e um ator feio com cara de engraçado, tudo ao som do clássico Stand by me. De arrepiar e deixar todo mundo com vontade de comprar o carro.

 

Além de um lindo comercial, é um belo exemplo de que quando se cria pensando na aprovação do público, e não do cliente, os resultados são muito melhores. E a Volkswagen também tem um enorme mérito. Certamente custou caro para dar vida ao mascote, que parece não ter nada de virtual. Eles devem ter se segurado  para não “pedir” algo no clima Fábio Júnior,  como comerciais da Fiat (ou deveria se chamar “jequiti“?), ou na onda pós-moderna, nada “bacana” que a a Ford adotou para lançar o seu grotesco KA.

-Repararam no cachorro peixe mijando em uma pedra no fundo do mar?

-Repararam no finalzinho, quando ele come sua ração que está na mesinha dobrável do banco de trás?

-Você já se emocionou com propaganda on-line? Essa por exemplo, se transformaria em algo do tipo “Passe o mouse e transforme o peixe em cachorro”. Não existe nada mais frio que a web.

-Também acham ridículo a VW adotar a alemão e assinar “DAS AUTO”?

 

Eu nunca tinha visto um comercial postado no youtube com tantos comentários positivos. Muita gente querendo um bicho igual, outros querendo encontrar essa versão de Stand by me (que aliás, está realmente difícil de achar) e puquíssimos críticos, que nem sabe o que estãos falando.

Alguns comentários:

“Mt bom o comercial, c/ certeza o melhor do ano!!!”

“Que propaganda bacana. Finalmente algo criativo realmente no mundo da tv. Quero um cachorro peixe!!!!”

“foda, mto foda…quem teve a ideia e tbem quem fez a computação tem q ganhar mta grana mesmo…parabens…”

“Ta dificil descobrir quem canta essa versão de Stand By me. Muito boa. Quen souber avisa. E eu me amarrei nesse comercial!”

Depois de olhar a ficha técnica, mais alguns comentários:

-Tinha que ser da AlmapBBDO.

-Gustavo Sarkis e Renato Fernandez, criadores da campanha, devem usar adidas e óculos com armação de aro grosso, mas fizeram o melhor comercial do ano.

-Uma pena o comercial ter sido dirigido e animado por argentinos, da Rebolucion e da Bitt Animation, respectivamente. O trabalho ficou ótimo, e talvez tenha ficado bom justamente por não ter sido feito no Brasil. Por aqui colocariam uma imagem amarelada e músicas sem sentido, como nos comerciais do Kuat e da Motorola. Tiraram os méritos do Brasil, mas estão de parabéns. 

-”O hotsite que entra no ar na próxima segunda-feira (8), mostrará o SpaceFox em seus detalhes e acessórios.”. Aposto que vai levar meia hora para terminar a droga do ‘loading’.

Depois desse comercial, eu acredito que a publicidade tem salvação.

Bookmark e Compartilhe

Kuat mais uma vez

quarta-feira, outubro 1st, 2008

Parece que é de meados desse ano, mas como não sou antenado como o Carlos Merigo, só vi ontem.

Estou falando do site do guaraná Kuat, aquele que não é Antárctica.

Talvez eu seja antiquado e ranzinza, e apesar de ter gostado, não gostei (mais abaixo eu explico). Isso de web 2.0, colaborativa, “wiki”, está me dando nos nervos.

Será que uma quantidade razoável de gente, sem contar os colaboratvios funcionários da empresa que o criou, entra no site, acha legal e participa com felicidade? Eu, quando não trabalhava com essa parada de propaganda e internet, às vezes até entrava em um site desses, e em 1% dessas vezes, até me cadastrava para participar das brincadeirinhas. Acontece que mesmo quando eu participava, nunca encontrava motivo ou me lembrava de voltar ao dito cujo.

O site do Kuat é bonito e tenta ser útil. Oferece um lugar para fazermos nossa “lista de sonhos”, e ainda que pareça interessante, não consigo imaginar uma quantidade razoável de gente utilizando o “aplicativo”. Criaram também uma espécie de fórum, no qual as pessoas dão dicas e falam sobre diversos assuntos, como morar no exterior, por exemplo.

Todo o conteúdo está conectado, e tudo seguindo fielmente o conceito que gerou o slogan “A gente muda, o mundo muda”. O site é um exemplo perfeito da wiki-web, mas será que um site lindo, moderno e caro desses acrescenta algo bom para a marca em um número relevante de pessoas?

Essa pergunta só vai se calar na minha cabeça no dia que, generosamente, alguma das agência/ empresas/ produtos que figuram por aqui, me mandar uma pesquisa mais que completa com os resultados das propagandas, sites e campanhas que tanto critico.

Nesse dia, eu coloco fogo no blog e me matriculo em um curso de engenharia civil. Por enquanto, sigo queimando os outros.

Bookmark e Compartilhe

Por que as propagandas são todas iguais?

segunda-feira, julho 28th, 2008

Fiz o segundo post desse blog após assistir uma palestra do Ulisses Zamboni, da Santa Clara, e ver que mesmo depois de tanto planejamento, a campanha do Kuat ficou estúpida e vazia.

Umas semanas depois vi na TV um comercial do iG, também ruim, também vazio, mas ainda pior, pois, além de tudo, parecia uma cópia do comercial do Kuat.

Agora, pouco mais de um mês depois, vi outro lixo, que parece ter saído do mesmo buraco.

Trata-se de um comercial da Motorola (aquela marca de celular que, quando a bateria não acaba, explode).

Vasculhei o Youtube e só encontrei versões hispânicas. São todas tão iguais que é difícil reconhecer a que vi na TV. E o idioma também não importa, afinal não dizem nada mesmo.

Imagem amarelada e jovens fazendo coisas sem sentido ao som de uma música qualquer, by Motorola:

PS: Não sei como, quem postou os vídeos não permite mais que eles sejam vistos diretamente aqui do blog. Mas eles ainda estão no ar:

Motorola 1

Motorola 2

Não se assustem se o próximo comercial do Mcdonalds for desse jeito. Ou deste, que parece ser o mesmo.

Para quem se interessar, eis o link das irmãs.

Confesso que estou ficando com medo desse fenômeno amarelado.

Bookmark e Compartilhe

Cuat II - Os seguidores da ignorância

quinta-feira, julho 10th, 2008

Beleza, talvez o ignorante seja eu. Mas provavelmente não.

Dizem que contra fatos não há argumentos. Complemento afirmando que contra propagandas ruins, não há muito o que dizer. Elas são ruins e ponto. Em umas posso criticar a fonte miúda ou ilegível, em outras a falta de idéias. Isso quando não são completamente amadoras. Nada além de ruins.

Podem dizer ainda que existem estilos. Por exemplo, a maioria das músicas do Elvis são parecidas e os filmes do Scorsese são quase todos iguais. Ele só trocou o Robert De Niro pelo Leonardo di Caprio em suas produções mais recentes.

Entretanto, eles são artistas.

As pessoas vão ao cinema ou compram/baixam  músicas simplesmente pela obra dos artistas. Com propaganda não é assim. A propaganda deve ser a serviço do cliente, sempre. Não adianta descobrirem um estilo “bacana” e fazer sempre igual, seja qual for o produto, o público ou a meta.

E o comercial do iG, feito pela Neogama/BBH, além de copiar seguir um estilo sem graça, ainda segue a idéia do Kuat, ou seja, a falta de idéias. Não vou postar o vídeo do refrigerante novamente. Basta um CTRL + F e procurar pela palavra “cuat” aqui no blog que você encontra o vídeo.

Fugir o planejamento, do produto e do consumidor virou moda.

Chega de falação, eis o comercial:

[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=6kevl894lxo]

Reparem que de toda a campanha, esse foi o único VT que critiquei. Os demais só assisti no youtube. Tem um com o Selton Melo, a Letícia Birkheuer e o Bernardinho, técnico da seleção de vôlei que até dá pra passar, e um estilo poemas do Pedro Bial, mas que ainda assim eu gostei, e por isso mesmo vou publicar aqui, como prova de que quem faz algo ruim, também consegue fazer trabalhos bons, e vice-versa:

[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=i0g7kX9lMSs]

O mundo é de quem faz, mas e o iG, alguém faz aquela joça?

Bookmark e Compartilhe

Cuat

quinta-feira, junho 12th, 2008

Dia desses assisti uma palestra com o Ulisses Zamboni, sócio da Santa Clara. O cara fala bem, e parece que trabalha melhor ainda. Pelo que disse, a agêcia tem como diferencial um super planejamento. Ele foi convidado para falar devido ao sucesso do funktube, mas ele queria mesmo era mostrar o case do kuat. A platéia, com a maioria de estudantes, babou na apresentação, e não foi de sono. Zamboni contou desde o momento em que recebeu o convite para ser responsável pela remodelação da marca, e em seguida partiu para a identificação do problema pela Santa Clara.

O vídeo que fizeram para mostrar à diretoria da Coca-Cola (dona do Kuat) quem era o consumidor de Kuat foi de arrepiar. Então ele mostrou a construção da nova logo e do novo rótulo do refrigerante em cada detalhe. Mostrou porque alongaram a perna do “K” em 30%, porque praticamente sumiram com a palavra “guaraná” e coisas desse tipo.

Apesar de achar que muita coisa foi inventada só pra palestra ficar mais crível, afinal era um case principalmente de planejamento, o Kuat realmente ficou muito mais bonito. Quem vê a embalagem até pensa que é um suco egípcio, chopp engarrafado ou ouro líquido que tem ali naquela garrafa pet, e esse é o problema.

Ficou bonito demais para ser um simples Kuat. O Zamboni insistiu a palestra toda que em testes cegos a maioria acha o Kuat mais gostoso que o Antártica, e que a nova identidade deveria mostrar que o produto confia em seu próprio potencial. Só que, na minha opinião enganaram o pobre. Não conheço ninguém que gosta daquilo, e olha que a maioria das pessoas que conheço está dentro do target da marca. O que estou ouvindo aqui na vida real, de pessoas que não estão nem aí pra publicidade ou design, é que o Kuat está parecendo óleo de cozinha, e que além de ser ruim, agora está esquisito.

Depois de ter ficado empolgado com a apresentação, pensando que a propaganda poderia ser algo tão sério e calculado quanto a engenharia, e que se minuciosamente planejada, tratada como uma cirurgia em um paciente terminal, sei lá, necessariamente teria um resultado final estupendo. Maldita ilusão. Quando vi o VT foi como se as luzes do cinema tivessem se acendido. Tenho que perder essa mania de entrar demais no filme, de acreditar demais no palestrante, mesmo que só durante a palestra. Esperei até o último segundo por algo que mostrasse onde ali eles utilizaram tanto planejamento, tanta pesquisa, tanto dinheiro. Talvez só lhes tenha faltado idéias.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=yC0Y2x6ObeE]

É mais um daqueles comerciais sem sentido da MTV? Onde está o conceito? Onde está o público alvo? Onde está o produto? Onde está o apelo? Alguém sabe? Comentem tomando um delicioso Guaraná Antárctica.

Bookmark e Compartilhe