Posts Tagged ‘planejamento publicitário’

Papo Universal

sexta-feira, agosto 29th, 2008

Comentário que recebi ontem aqui no blog, após um comentário que fiz no papo de homem:

Olha, não sei se foi você que fez um comentario no site papodehomem.com.br, dizendo que publicitário não é cirurgião. Caso seja, lamento muito por você. Primeiro, por jogar contra sua própria profissão. Claro que não somos cirurgiões. Mas tenha dó! Dizer que quase todo mundo pode fazer o que fazemos, é ridículo. Ou talvez, não seja tanto, talvez seu “trabalho” que seja tão medíocre. Imagino que você pense que “quase todo mundo” é capaz de planejar a comunicação de uma grande empresa. Como aconteceu com a antiga Schincariol, que hoje é a 3ª cerveja mais vendida no Brasil, depois que alguém, como “quase todo mundo” criou e planejou sua mudança de postura com o famoso “Experimenta”…bem…não vou ficar mais perdendo meu tempo, mas fui obrigado a vir aqui escrever isso depois do que li. Realmente, de profissionais como você, “quase todo mundo” fazer o seu trabalho.

Assinado: Cléo

.

.

.

.

.

.

.

Então, Cléo, vou responder cada uma de suas agressões.

.

.

.

1. Sim, fui eu que fiz o comentário.

2. Nunca jogo contra minha profissão. Faço críticas sempre buscando os erros e indicando caminhos.

3. Ter “dó”? Não tenho pena nenhuma da mediocridade.

4. Se sou um profissional medíocre ou não, não vem ao caso.

5. Não penso que “quase todo mundo” conseguiria planejar uma campanha. Planejamento é a área que mais admiro na propaganda, apesar de também fazer suas bobagens. O problema é quando não conseguem ou são impedidos de segui-lo. O grande exemplo disso é o case Kuat.

6. A Schincariol pode ser a cerveja mais vendida do mundo, mas vai continuar sendo a segunda pior, já que em matéria de gosto ruim e dor de cabeça posterior é impossível superar a Kaiser. Para uma propaganda ter eficácia total, o produto precisa ter qualidade.

7. O “Experimenta” realmente foi um fenômeno, mas o CONAR tratou de impedir sua continuidade. A derrocada da propaganda não é só culpa dos criativos, é culpa da classe, que aceita leis ridículas, limitações estúpidas e verbas medíocres. Nesse grupo eu me incluo, infelizmente.

8. Foi “obrigado” a escrever? Das duas uma: ou você é um homem com nome de mulher ou é uma mulher semi-analfabeta.

E o que disse não serve só para publicidade. Pense além desse mundinho, não limite seus raciocínios, todo trabalho é igual: quase todo mundo consegue fazer, e mesmo quem faz não sabe o que está fazendo. Todo mundo sabe arrancar um dente, receitar xarope para crianças com “virose”. Todo mundo entende um pouco de leis, e quase qualquer um pode pegar uma régua e projetar uma casa. A casa feita por um “leigo” pode cair, mas nem um engenheiro tem 100% de certeza do que faz.

Se Einstein era ruim de matemática, se o maior publicitário do Brasil nem formado é, se um homem negro e de nome árabe pode ser eleito presidente do país mais preconceituoso do mundo, não duvide se a faxineira for capaz de fazer seu trabalho melhor que você.

Barack Hussein Obama Junior

Barack Hussein Obama Junior

ps: Viu, coleguinhas designers, artistas e diretores de arte, poupei vocês dessa vez. Mas aguardem!

Bookmark e Compartilhe

Por que as propagandas são todas iguais?

segunda-feira, julho 28th, 2008

Fiz o segundo post desse blog após assistir uma palestra do Ulisses Zamboni, da Santa Clara, e ver que mesmo depois de tanto planejamento, a campanha do Kuat ficou estúpida e vazia.

Umas semanas depois vi na TV um comercial do iG, também ruim, também vazio, mas ainda pior, pois, além de tudo, parecia uma cópia do comercial do Kuat.

Agora, pouco mais de um mês depois, vi outro lixo, que parece ter saído do mesmo buraco.

Trata-se de um comercial da Motorola (aquela marca de celular que, quando a bateria não acaba, explode).

Vasculhei o Youtube e só encontrei versões hispânicas. São todas tão iguais que é difícil reconhecer a que vi na TV. E o idioma também não importa, afinal não dizem nada mesmo.

Imagem amarelada e jovens fazendo coisas sem sentido ao som de uma música qualquer, by Motorola:

PS: Não sei como, quem postou os vídeos não permite mais que eles sejam vistos diretamente aqui do blog. Mas eles ainda estão no ar:

Motorola 1

Motorola 2

Não se assustem se o próximo comercial do Mcdonalds for desse jeito. Ou deste, que parece ser o mesmo.

Para quem se interessar, eis o link das irmãs.

Confesso que estou ficando com medo desse fenômeno amarelado.

Bookmark e Compartilhe

Cuat

quinta-feira, junho 12th, 2008

Dia desses assisti uma palestra com o Ulisses Zamboni, sócio da Santa Clara. O cara fala bem, e parece que trabalha melhor ainda. Pelo que disse, a agêcia tem como diferencial um super planejamento. Ele foi convidado para falar devido ao sucesso do funktube, mas ele queria mesmo era mostrar o case do kuat. A platéia, com a maioria de estudantes, babou na apresentação, e não foi de sono. Zamboni contou desde o momento em que recebeu o convite para ser responsável pela remodelação da marca, e em seguida partiu para a identificação do problema pela Santa Clara.

O vídeo que fizeram para mostrar à diretoria da Coca-Cola (dona do Kuat) quem era o consumidor de Kuat foi de arrepiar. Então ele mostrou a construção da nova logo e do novo rótulo do refrigerante em cada detalhe. Mostrou porque alongaram a perna do “K” em 30%, porque praticamente sumiram com a palavra “guaraná” e coisas desse tipo.

Apesar de achar que muita coisa foi inventada só pra palestra ficar mais crível, afinal era um case principalmente de planejamento, o Kuat realmente ficou muito mais bonito. Quem vê a embalagem até pensa que é um suco egípcio, chopp engarrafado ou ouro líquido que tem ali naquela garrafa pet, e esse é o problema.

Ficou bonito demais para ser um simples Kuat. O Zamboni insistiu a palestra toda que em testes cegos a maioria acha o Kuat mais gostoso que o Antártica, e que a nova identidade deveria mostrar que o produto confia em seu próprio potencial. Só que, na minha opinião enganaram o pobre. Não conheço ninguém que gosta daquilo, e olha que a maioria das pessoas que conheço está dentro do target da marca. O que estou ouvindo aqui na vida real, de pessoas que não estão nem aí pra publicidade ou design, é que o Kuat está parecendo óleo de cozinha, e que além de ser ruim, agora está esquisito.

Depois de ter ficado empolgado com a apresentação, pensando que a propaganda poderia ser algo tão sério e calculado quanto a engenharia, e que se minuciosamente planejada, tratada como uma cirurgia em um paciente terminal, sei lá, necessariamente teria um resultado final estupendo. Maldita ilusão. Quando vi o VT foi como se as luzes do cinema tivessem se acendido. Tenho que perder essa mania de entrar demais no filme, de acreditar demais no palestrante, mesmo que só durante a palestra. Esperei até o último segundo por algo que mostrasse onde ali eles utilizaram tanto planejamento, tanta pesquisa, tanto dinheiro. Talvez só lhes tenha faltado idéias.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=yC0Y2x6ObeE]

É mais um daqueles comerciais sem sentido da MTV? Onde está o conceito? Onde está o público alvo? Onde está o produto? Onde está o apelo? Alguém sabe? Comentem tomando um delicioso Guaraná Antárctica.

Bookmark e Compartilhe